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Joana

A Joana tem 7 anos. É acima de tudo feliz.

Adora a escola, os amigos, a família, a irmã... e até agora guardou um terrível segredo... Foi recentemente diagnosticada com uma doença extremamente ara chamada Mucopolissacaridose tipo 3C, ou Síndrome Sanfilippo C. 

Trata-se de uma doença genética, autossómica recessiva, e faz parte do grupo das doenças dos lisossomas para a qual não existe actualmente qualquer cura ou terapia.

É uma doença metabólica, em que a falta de uma enzima crucial (acetyl-CoA: α-glucosaminide N-acetyltransferase) faz com que exista acumulação de material tóxico (sulfato heparano) no seu corpo, mais concretamente no cérebro, atacando o seu sistema nervoso central. 
Trata-se no fundo de uma doença neuro-degenerativa, em que com o tempo esta acumulação vai causando uma série de danos no cérebro, resultando numa progressiva perda de faculdades,  nomeadamente a visão, fala, equilíbrio, demência e imensos problemas de motricidade. Infelizmente estas crianças não vivem muitos anos, uma vez que o seu corpo aos poucos vai sucumbindo a esta terrível doença.
O facto de o sistema atacado ser o Nervoso, faz com que uma série de condicionantes ao desenvolvimento de uma terapêutica se imponham, dada a dificuldade de atravessamento da barreira hemato-encefálica.
 
Desde cedo, revelou atraso no desenvolvimento da linguagem. Aos 3 anos iniciámos as consultas de desenvolvimento infantil.  Queríamos que esse atraso na fala se revelasse o menor possível no futuro. Não havendo indicação de que algo mais de errado se passaria com a Joana, seguimos todas as indicações dos especialistas. Terapia da fala, colocação de tubos nos tímpanos (duas intervenções cirúrgicas) por as otites serosas que padecia poderem afectar a audição e consequentemente a linguagem, tomas de café, por forma a aumentar a capacidade de concentração nas tarefas, inúmeros exames devido às diarreias e ao ligeiro aumento do tamanho do fígado...
Por insatisfação com as respostas dadas pelos especialistas, mudámos três vezes de pediatra de desenvolvimento. Nenhum deles relacionou as diarreias frequentes, o atraso na linguagem, a hiperactividade, as infecções recorrentes nos ouvidos, a moderada hepato-megália. A Joana andou a ser seguida em inúmeras especialidades diferentes e mal diagnosticada pelo menos durante três anos.
Até à data o diagnóstico da Joana era a Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção. Andou medicada para tal (com metilfenidato) durante um ano, com frequente ajuste de doses, dada a ineficácia da terapêutica. As variadas indicações dos especialistas de que no futuro a situação iria melhorar, deixavam-nos minimamente tranquilos.
 
Mas a sensação de que algo não continuava bem e de que faltava qualquer peça que preenchesse o puzzle, fez-nos consultar mais uma vez uma nova opinião. Desta vez um neuro-pediatra, que numa única consulta e com a prescrição de uma análise à urina, juntou a tal peça que faltava...
Depois de longos meses entre testes, exames e confirmação dos mesmos a Joana foi finalmente diagnosticada com Síndrome Sanfilippo C. Entrámos num universo, para nós desconhecido, de enzimas, mutações genéticas, em que nada fazia sentido. 
A sensação e a informação de que até agora dispúnhamos, de que tudo iria melhorar, com o tempo e a idade, caiu por terra. Afinal, com o tempo, tudo iria piorar!
Quanto mais conhecíamos a doença, mais aumentava a revolta, o choque, a sensação de injustiça...Como é possível retirar desta forma a oportunidade de uma vida a uma criança? E como nos foi isto acontecer, dada a baixa  incidência deste síndrome?

 

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Joana

A revolta rapidamente deu lugar à vontade de mudar o destino da Joana.

A busca incessante por informação levou-nos a trocar contactos com outros pais e especialistas noutras partes do Mundo, dada a inexistência de uma associação ou entidade específica da doença aqui em Portugal.

A raridade da doença e o facto do gene associado à mesma ter sido descoberto em 2006, justifica de alguma forma a ausência de terapêuticas. 

Também não existe iniciativa das companhias farmacêuticas de promover investigação para estas doenças raras dada a baixa rentabilidade comercial e a dificuldade de retorno de investimento.

Assim a investigação é normalmente financiada numa fase pré-clínica pelas associações de doentes e aquando da descoberta de uma terapêutica, já poderão as companhias farmacêuticas promover o acesso à mesma através dos designados medicamentos órfãos.


Torna-se URGENTE:
- Promover a investigação para o tipo C
- Divulgar Sanfilippo -  com o objectivo de alertar profissionais de saúde, pais, educadores, evitando erros de diagnóstico durante anos
- Encontrar outras famílias afectadas – o poder está nos números! Com certeza existem muitas mais crianças afectadas sem o saberem. A inexistência de um registo sobre o número de crianças afectadas, torna difícil conhecer com exactidão quantos somos. A demanda por uma cura tem de ser promovida pelo maior número possível de pessoas.
- Encontrar uma cura num futuro próximo, financiando a investigação – ajudar não só a Joana, mas também as gerações futuras.


O que é Sanfilippo Tipo C?

Síndrome Sanfilippo é uma doença hereditária do metabolismo que torna o corpo incapaz de degradar longas cadeias de  moléculas de açúcares chamadas glicosaminoglicanos (GAGs) ou mucopolissacáridos. O Síndrome pertence a um grupo de doenças chamadas de mucopolissacaridoses (MPS), mais concretamente é conhecida como MPSIII.
O Síndrome Sanfilippo ocorre quando as enzimas necessárias para degradar a cadeia de açúcar sulfato de heparano são inexistentes ou defeituosas. Assim este substrato (sulfato de heparano) é armazenado dentro dos lisossomas de cada célula no corpo. Por isso as mucopolissacaridoses pertencem ao grupo das chamadas doenças dos lisossomas.
Com a acumulação daqueles GAG’s ao longo do tempo, estes acabam por danificar as células, o que leva a uma progressiva deterioração do sistema nervoso central. No cérebro o nível de sulfato de heparano acumulado é crucial para o seu correcto funcionamento.
Até à data existem quatro tipos do Síndrome Sanfilippo, dependendo de qual a enzima afectada. Estes quatro tipos são designados de A, B, C e D. Cada tipo tem uma progressão diferente, sendo que o tipo A é considerado mais severo que o tipo C ou D. No entanto, todos os tipos são fatais e a progressão da doença acaba por seguir o seu rumo.

Sanfilippo Tipo A é o mais comum. Os pacientes com este tipo, ou não têm ou têm uma forma alterada de uma enzima chamada heparan N-sulfatase. Incidência 1:100 000.
Sanfilippo Tipo B ocorre quando existe deficiência ao nível de uma enzima chamada N-Acetyl-α-glucosaminidase. Incidência 1:200 000.
Sanfilippo Tipo C ocorre quando existe deficiência ao nível de uma enzima chamada acetyl-CoA: α-glucosaminide N-acetyltransferase. Incidência 1:1 400 000.
Sanfilipo Tipo D ocorre quando existe deficiência ao nível de uma enzima chamada N- acetylglucosamine6-sulfatase. Incidência 1:1 000 000.
 
A doença desenvolve-se em três estados:
O primeiro estádio torna-se normalmente óbvio até aos anos pré-escolares, com um ligeiro atraso no desenvolvimento global, caracterizando-se principalmente por atraso na linguagem, dificuldades de aprendizagem, infecções recorrentes ao nível dos ouvidos, diarreias.
O segundo estádio caracteriza-se  por problemas comportamentais acentuados, hiperactividade e distúrbios do sono.
No terceiro estádio o corpo começa a sucumbir aos efeitos da acumulação tóxica do sulfato de heparano. Os problemas comportamentais desaparecem lentamente mas vários órgãos são afectados, bem como os ossos. Problemas de visão podem ocorrer. Perder a capacidade de comer, falar, andar, acaba por ocorrer.
Pacientes com o tipo A vivem normalmente até uma década. Tipo C e D vivem normalmente até à terceira década. O tipo B situa-se entre os dois espectros.
 

Projectos que estão a ser financiados e que se pretendem financiar:

Dr. Alexey Pshezhetsky, Universidade de Montreal, Canadá / Dr.  Brian Bigger, Universidade de Manchester, Reino Unido: terapia génica: avaliação da eficácia a longo prazo da administração intracerebral de um vector AAV-hHGSNAT em modelos animais (ratos) MPS IIIC.
30 meses de financiamento ≅ € 392 000
 
Dr. Daniel Grinberg and Dra. Lluïsa Vilageliu, Universidade de Barcelona, Espanha: proposta de desenvolvimento de modelo neuronal e quatro aproximações terapêuticas:
- construção de um modelo celular neuronal para MPSIIIC;
- terapia de redução do substrato por RNA interferência;
- terapia génica – parceria com dra. Fátima Bosch: através de um vector viral, um gene saudável é transportado, a fim de substituir o afectado;
- aproximação terapêutica para mutações nonsense;
- aproximação terapêutica baseada em morfolino oligonucleótidos;
Financiamento ≅ € 110 000 para um total de dois anos  
 
Dr.  Brian Bigger, Universidade de Manchester, Reino Unido - Genistein: Ensaio clínico em humanos, a iniciar em 2012: Genistein, substância demonstrada eficaz no atravessamento da barreira hemato-encefálica, com efeitos na redução dos GAG’s bem como da inflamação ao nível do cérebro. Efeitos ao nível do retardo da progressão da doença.  
Financiamento ≅ € 900 000
 
Estudo da história natural da doença: existir um estudo da história natural da doença, poderá significar maior celeridade na aprovação de uma terapêutica. Só é possível aferir a eficácia da mesma se compararmos os resultados com o curso normal da doença. Ao existir previamente um estudo da história natural, será desnecessário um ensaio clínico Tratamento vs. Placebo.
Financiamento ≅ € 440 000 para um total de três anos
 
Em resumo... 

A Fundação JJB passou o ano passado, entre os EUA e a Europa à procura da melhor ciência para o subtipo C. A nossa busca por uma cura levou-nos a França, Espanha, Portugal, Inglaterra, Washington DC, Las Vegas e Nova York. Passámos dias a fio sentados em lobbies de hotel durante as conferências médicas, discutindo possíveis opções de tratamento com dezenas de clínicos e investigadores diferentes. Com a ajuda do nosso conselho científico, a fundação JJB identificou as melhores abordagens para o nosso subtipo e sua enzima de membrana "complicada". Não sabemos de onde a "cura" virá e provavelmente irá ter uma abordagem multi-tratamento para salvar nossas crianças. Por isso, não queremos colocar todos os nossos "ovos no mesmo cesto."
O nosso conselho científico optou por vários projectos a financiar. Os primeiros trabalhos sobre terapias de mutação específica, vão incidir sobre as mutações nonsense, splicing e missense. Abordagens farmacológicas, como terapias ‘chaperones’ são provavelmente uma alternativa num futuro próximo.
A fundação JJB está ciente do facto de que estamos a criar tratamentos específicos para uma doença já rara. Para equilibrar esta questão, estamos já a financiar uma abordagem mais universal: a terapia génica, que através de um vector viral, substituirá o gene afectado por um são, poderá funcionar para todas as crianças subtipo C. 
No futuro próximo é nossa intenção financiar uma nova abordagem denominada TFEB, que será uma potencial solução para todas as doenças dos lisossomas.
Entretanto aguardamos que a parceria  Zacharon/Pfizer inicie os ensaios clínicos, o mais rapidamente possível.
A ciência está aqui, só temos de a financiar.

 

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Jonah's Just Begun - Foundation to Cure Sanfilippo, Inc.